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Da Ideia ao Mercado (e do Mercado à Ideia)

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elaborado com recurso a IA, com revisão posterior pelos peritos da equipa da Avaliação Estratégica

Mesa Temática “Da ideia ao mercado (e do mercado à ideia)” (15 de abril, 15h)

Valorização do conhecimento apresenta barreiras sistémicas, que vão para além dos desafios no setor da Ciência e Inovação. Existe capacidade de produção de conhecimento reconhecida, com massa crítica relevante no setor académico. No entanto, as instituições funcionam de forma pouco articulada, com fraca continuidade ao longo da cadeia de valor, comprometendo a transformação do conhecimento em impacto económico e societal. O percurso entre a descoberta e a sua transformação em valor é irregular e estruturalmente interrompido nas fases intermédias (validação, prototipagem e demonstração).

Transferência tardia de resultados científicos para o mercado; a construção de ecossistemas colaborativos de I&I é determinante. A ligação entre academia e o setor empresarial não é apenas um problema do lado da oferta. O tecido empresarial é dominado por micro e PME sem capacidade de escala nem qualificação interna dos recursos afetos à I&D para absorver investigação, co-financiar validação, identificar oportunidades geradas pela produção científica, ou manter colaborações de longa duração. As linhas temporais da investigação e da inovação são estruturalmente diferentes.

Definição de incentivos e mecanismos de financiamento que respondam às necessidades sistémicas, reforço das infraestruturas e governança articulada. As carreiras científicas e académicas não incentivam nem têm mecanismos de avaliação de percursos não-tradicionais. O modelo de governação e articulação entre os vários atores (Estado, empresas, universidades e entidades de intermediação) para definir políticas e gerir recursos terá de evoluir, por forma a assegurar coerência entre incentivos, instrumentos de financiamento e investimento em infraestruturas, para garantir que gera valor.

1) Valorização do conhecimento apresenta barreiras sistémicas, que vão para além dos desafios no setor da Ciência e Inovação

Potencialidades

  • Existência de massa crítica científica e tecnológica. O sistema demonstra elevada capacidade de produção de conhecimento, reconhecida como ponto de partida sólido para a valorização económica.
  • Diversidade de atores institucionais com competências complementares. Existência de uma base de entidades em várias áreas estratégicas e cobrindo os setores académico, empresarial, centros e infraestruturas de interface, sociedade civil e governança, potenciam um ecossistema mais integrado, com capacidade de estruturar consórcios completos ao longo da cadeia de valor.
  • Oportunidade para reformas estruturais. O reconhecimento generalizado dos constrangimentos existentes cria condições favoráveis para reformas estruturais, representando uma oportunidade única para corrigir a fragmentação e fragilidade sistémica.

Debilidades

  • Descontinuidade ao longo da cadeia de valor do conhecimento e inovação. A transição entre prova de conceito e demonstração em contexto real constitui uma barreira. Esta fase intermédia está sub-financiada e faltam mecanismos contínuos de articulação e progressão.
  • Fragmentação institucional e fraca articulação entre atores. A cooperação é pouco estruturada e dependente de iniciativas individuais, frequentemente informal, dificultando trajetórias contínuas até ao mercado. O setor académico e o setor não-académico, em particular as empresas, revelam desconhecimento mútuo, representando uma debilidade permanente que afeta a eficiência sistémica.
  • Governança e instrumentos de financiamento incoerente. Os instrumentos públicos não distinguem adequadamente entre investigação exploratória, validação e escala, e não estabelecem mecanismos ágeis ao longo do ciclo de vida dos projetos. Persistem desalinhamentos entre estratégias, programas de financiamento e necessidades reais do sistema.

2) Transferência tardia de resultados científicos para o mercado; a construção de ecossistemas colaborativos de I&I é determinante

Potencialidades

  • Casos de sucesso demonstram viabilidade dos ecossistemas colaborativos. O envolvimento precoce de empresas e utilizadores finais, aumenta a adequação tecnológica e a probabilidade de adoção.
  • Estrutura das empresas e suas áreas de atuação como mapa estratégico. As empresas com I&D formal e com demonstrada competitividade ao nível de infraestruturas e recursos humanos permitem identificar os domínios onde ecossistemas colaborativos poderão ser mais viáveis a curto prazo.
  • Interesse real e disponibilidade em colaborar. O espírito colaborativo institucional existe, desde que os mecanismos sejam transparentes, o risco partilhado, e o timing de resposta do sistema científico compatível com o ritmo de decisão das empresas (e vice-versa). O sistema científico revela competência técnica para responder a problemas complexos, quando estes são bem definidos.

Debilidades

  • Problema estrutural de escala empresarial. Tecido empresarial composto maioritariamente por micro e PME, com reduzida capacidade de escala. Dificuldade de as empresas absorverem doutorados, co-financiarem validação, ou manterem colaborações de longa duração.
  • Qualificação empresarial insuficiente para a I&D e fragilidade sistémica para a intermediação. As empresas têm escassez de trabalhadores com qualificações adequadas para a I&D. Acrescenta-se a escassez de perfis especializados em desenvolvimento de negócio e inovação aplicada, capazes de traduzir conhecimento científico em oportunidades de mercado, principalmente no setor académico.
  • Envolvimento do mercado e linhas temporais. Em muitos casos, a integração do mercado ocorre quando as soluções já estão “fechadas”, limitando ajustes, adaptação ao contexto real e viabilidade comercial. Persistem barreiras ao nível de tempos de decisão, expectativas de resultados, critérios de sucesso e formas de comunicação que afetam colaborações estáveis e duradoras.

3) Definição de incentivos e mecanismos de financiamento que respondam às necessidades sistémicas, reforço das infraestruturas e governança articulada

Potencialidades

  • Reconhecimento de consensos alargados. É reconhecida a necessidade de rever carreiras, incentivos académicos e modelos de avaliação, e de reforçar as fases de validação, demonstração e prototipagem.
  • Capacidade comprovada de gerar impacto quando os modelos são adequados. O sistema revela capacidade de produzir soluções adequadas ao mercado, desde que o enquadramento seja correto, o que reduz a incerteza da intervenção.
  • Mecanismos operacionais estão identificados. Financiamento faseado ajustado ao risco e maturidade dos projetos, redes de infraestruturas de validação, métricas de impacto e modelos de governação orientada para valor.

Debilidades

  • Carreiras académicas que não incentivam a inovação e percursos não-tradicionais. A progressão na carreira continua a depender da produção científica. A colaboração com empresas, a participação em validação comercial ou projetos com componente de mercado têm contributo marginal.
  • Fragilidade e fragmentação das infraestruturas. As infraestruturas de validação, prototipagem e demonstração já existem parcialmente, mas estão insuficientemente mapeadas, articuladas e visíveis para os utilizadores do sistema.
  • Governança e sistemas de avaliação pouco orientados para o impacto. A formação doutoral prepara, predominantemente, para o contexto académico. Os mecanismos de avaliação induzem comportamentos indesejados — patentes sem aplicação, spin-offs precoces, colaborações formais sem substância. Persistem modelos focados na execução administrativa de programas, em detrimento da criação efetiva de valor.