Investigação e Inovação - com e para - a Sociedade
elaborado com recurso a IA, com revisão posterior pelos peritos da equipa da Avaliação Estratégica
Mesa Temática “Investigação e inovação – com e para – a sociedade” (21 de abril, 15h)
Cocriação como princípio estruturante: consenso alargado vs. indefinição operacional. A cocriação é reconhecida como abordagem relevante para integrar conhecimento distribuído, reforçar a legitimidade das políticas e responder a desafios societais complexos, mas persistem indefinições sobre o seu âmbito, objetivos, outputs esperados e tradução em instrumentos efetivos de política.
Inclusividade e qualidade da participação: potencial de legitimação vs. risco de superficialidade. O alargamento da participação a diferentes comunidades, territórios, cidadãos e utilizadores finais pode aumentar a robustez e aceitação das políticas, embora continue condicionado por participação episódica, assimetrias de poder, barreiras práticas e risco de processos sem tradução em decisões concretas.
Implementação da cocriação nas políticas: potencial transformador vs. limitações institucionais e operacionais. A integração sistemática da cocriação pode melhorar a articulação entre ciência, inovação e necessidades societais, mas enfrenta limitações de capacidade institucional, priorização estratégica, burocracia, custos de participação e mecanismos insuficientes de incorporação dos contributos no processo decisório.
1) Cocriação como princípio estruturante: consenso alargado vs. indefinição operacional
Potencialidades
Existe um consenso transversal sobre a relevância da cocriação como abordagem para políticas de I&I, reconhecida pela sua capacidade de:
- integrar conhecimento distribuído entre múltiplos atores;
- reforçar a legitimidade e aceitação das políticas;
- melhorar a adequação das respostas a desafios societais complexos.
- A cocriação é também valorizada enquanto mecanismo de escuta ativa e aprendizagem coletiva, permitindo decisões mais informadas e alinhadas com necessidades reais.
Debilidades
Verifica-se uma indefinição significativa quanto ao conceito e aplicação prática da cocriação, nomeadamente ao nível de:
- delimitação do seu âmbito (políticas vs. projetos vs. produção científica);
- ausência de enquadramento claro dos objetivos e outputs esperados;
- tendência para abordagens excessivamente genéricas e pouco operacionais.
- Esta falta de concretização dificulta a sua tradução em instrumentos efetivos de política.
2) Inclusividade e qualidade da participação: potencial de legitimação vs. risco de superficialidade
Potencialidades
A cocriação é entendida como oportunidade para alargar e diversificar a participação, incluindo:
- diferentes comunidades científicas, empresariais e sociais;
- atores territoriais e grupos não representados;
- cidadãos e utilizadores finais.
Este alargamento contribui para:
- maior robustez das soluções;
- reforço da cultura científica e do envolvimento social;
- aumento da probabilidade de implementação das políticas.
Debilidades
Persistem limitações à efetividade e profundidade da participação, nomeadamente:
- envolvimento frequentemente instrumental ou episódico;
- assimetrias de poder, linguagem e capacidade de influência;
- barreiras práticas (tempo, recursos, complexidade) que limitam a participação de alguns atores.
- Adicionalmente, a experiência acumulada aponta para o risco de processos que não se traduzem em decisões concretas, afetando a credibilidade institucional.
3) Implementação da cocriação nas políticas: potencial transformador vs. limitações institucionais e operacionais
Potencialidades
A integração sistemática da cocriação nas políticas de I&I é vista como um instrumento com potencial transformador, permitindo:
- melhor articulação entre ciência, inovação e necessidades societais;
- definição mais informada de prioridades estratégicas;
- mobilização de ecossistemas diversos para resposta a desafios complexos.
- Existem também referências a exemplos concretos (internacionais e nacionais) que demonstram a viabilidade de modelos cocriativos.
Debilidades
A operacionalização da cocriação enfrenta constrangimentos estruturais importantes, incluindo:
- limitada capacidade das instituições públicas para coordenar processos complexos;
- ausência de priorização estratégica (dificuldade em fazer escolhas);
- burocracia e custos de participação elevados, especialmente para empresas;
- falta de mecanismos de integração dos contributos no processo decisório.
- Acresce o risco de descontinuidade (dependência de iniciativas pontuais) e de falta de alinhamento com incentivos e resultados concretos.