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Reuniões com Entidades

As reuniões com entidades visam recolher perspetivas e contributos de entidades estratégicas identificadas no quadro de governança da Avaliação Estratégica (ver Anexo 2 do documento da metodologia). Entre 10 março e 8 abril de 2026, foram realizadas 17 reuniões em formato online, com 65 das 95 entidades convidadas (lista abaixo). A moderação foi assegurada pela Coordenadora-geral da Avaliação Estratégica, Professora Maria do Rosário Partidário. Nestas reuniões participaram como observadores peritos da equipa da Avaliação Estratégica (FCT e ANI), o PLANAPP, a DGE, a DGEPA, elementos dos gabinetes da Secretária de Estado da Ciência e Inovação e do Secretário de Estado da Economia.

Perguntas orientadoras do diálogo: Considerando a visão para 2050 definida para a avaliação estratégica (“Portugal afirma-se como um país que cria talento e conhecimento e os transforma em valor económico, social, cultural e ambiental, com um sistema de investigação e de inovação dinâmico, interligado em redes nacionais e internacionais, competitivo e orientado para a excelência, que conjuga um modelo de desenvolvimento sustentável e inclusivo, reforçando a sua posição na Europa e no mundo”), na perspetiva das entidades auscultadas:

  1. Quais são os grandes desafios a longo prazo que se colocam à organização e atividade da AI2, em particular em matéria de investimento em investigação e inovação.
  2. Quais são as grandes prioridades para a atuação da AI2 para ir de encontro à visão estabelecida.

Síntese global dos contributos

(construída a partir dos registos das 17 reuniões, organizados e analisados para preservar a diversidade dos contributos, depois estruturados numa matriz temática transversal e, por fim, consolidados numa síntese sistémica de desafios e prioridades estratégicas, com base em IA validada por revisão humana e suportada por notas e registos das reuniões)

Desafios a longo prazo (Pergunta 1)

  • Instabilidade estratégica e descontinuidade institucional, resultantes da forte dependência de ciclos políticos, de reformas frequentes e da volatilidade das orientações, comprometendo a previsibilidade, o planeamento de longo prazo e a consolidação das políticas de I&I.
  • Limitações na previsibilidade e sustentabilidade do financiamento (plurianual, regular e basal/híbrido), mantendo uma dependência estrutural de fundos europeus e de instrumentos extraordinários.
  • Dificuldades de integração efetiva entre investigação e inovação ao longo da cadeia de valor (incluindo transição “da ideia ao mercado”, TRL e translação), num ecossistema marcado por fragmentações e mediação intermédia insuficiente.
  • Necessidade de maior simplificação e eficiência administrativa perante burocracia elevada e foco desproporcionado na despesa, com avaliação de resultados e impacto considerada frágil.
  • Fragilidades na robustez e credibilidade dos modelos de avaliação e escrutínio, exigindo diversidade de métricas, painéis internacionais e controlo de qualidade a posteriori, e evitando leituras simplistas do impacto.
  • Insuficiente proteção explícita da investigação fundamental e do seu equilíbrio com investigação orientada para impacto e inovação, evitando a subalternização ao retorno imediato e preservando a diversidade disciplinar.
  • Baixa atratividade e sustentabilidade das carreiras e do emprego científico, incluindo precariedade, fraca previsibilidade, modelos contratuais limitados, mobilidade intersetorial reduzida e fraca integração de doutorados fora da academia.
  • Constrangimentos no financiamento e na operacionalização das infraestruturas (científicas e de interface), incluindo manutenção e operação, avaliação regular e funcionamento em rede, após períodos prolongados de subfinanciamento.
  • Fraca coesão territorial num sistema com assimetrias regionais (incluindo ilhas, territórios de baixa densidade e interior) em capacidade científica e de interface, acesso a financiamento, escala empresarial e intensidade de inovação.
  • Necessidade de uma governança funcional e clara (“by design”) num sistema fragmentado, assegurando segmentação funcional com coordenação, regras de entrada/saída, proximidade ao terreno e orientação aos utilizadores.
  • Dificuldades na definição de domínios estratégicos com portefólio adaptativo, evitando listas fechadas, assegurando critérios claros e diferenciando domínios por maturidade, risco e horizonte temporal, com proteção de áreas emergentes e margem para unknowns e para blue sky fora dos domínios.
  • Fragilidades na articulação entre ciência e sociedade, incluindo literacia, atração para STEM, participação pública estruturada e gestão das tensões associadas à ciência aberta (segurança, dados e regulação).

Desafios setoriais

  • Limitações na sustentabilidade e autonomia organizacional na área da saúde, incluindo ao nível de carreiras (duais/tempo protegido), avaliação regular, rede e escala, e centralidade do impacto em saúde pública e em políticas públicas.
  • Constrangimentos de autonomia, financiamento e infraestruturas nos Laboratórios do Estado, bem como de coordenação e governança para prioridades científicas (ex.: oceano, clima e desafios territoriais).
  • Desigualdade de tratamento do ensino superior privado no acesso a financiamento público (ex.: PRR), apesar de exigências de qualidade semelhantes.
  • Persistência de precariedade e elevada carga administrativa nos politécnicos (com impacto maior no interior), associada à perceção de enviesamentos na avaliação e à necessidade de clarificação de papéis institucionais.
  • Subvalorização da inovação desenvolvida em Portugal quando a propriedade intelectual é registada noutros países, com efeitos adversos nos indicadores nacionais.

Prioridades para a atuação da AI² (Pergunta 2)

  • Governança estável/independente/plurianual e cultura organizacional integrada/horizontal, com processos claros de acompanhamento, reporte e articulação consultiva (incl. papel do CNCTI).
  • Arquitetura funcional “em rede”, assente numa coordenação estratégica central com delegação operacional especializada; segmentação funcional com coordenação; proximidade ao terreno e orientação aos utilizadores; avaliação por impacto.
  • Financiamento previsível/plurianual e, quando aplicável, modelos híbridos (base + competitivo por missões/serviços) para sustentabilidade institucional, planeamento e eficiência.
  • Instrumentos integrados e contínuos ao longo da cadeia de valor, em programas multi-instrumento que assegurem progressão e escala, com mediação/cocriação e valorização do conhecimento, evitando ruturas entre fases (sobretudo iniciais e intermédias).
  • Simplificação administrativa e melhoria na previsibilidade e no desenho dos concursos (incl. múltiplos momentos de candidatura e resubmissão), com foco em resultados/impacto e não apenas despesa.
  • Avaliação e escrutínio reforçados: com painéis internacionais, diversidade de métricas, consideração de múltiplos tipos de impacto (científico, económico, social, cultural, ambiental e em políticas públicas) e controlo de qualidade a posteriori, suportados por monitorização sistemática para ajustamento de prioridades e instrumentos.
  • Proteção explícita da investigação fundamental e modelo misto bottom-up/top-down (missões/temas-chave sem prescrição de trajetórias), assegurando adicionalidade.
  • Domínios estratégicos definidos por critérios explícitos (soberania/interesse nacional, capacidade instalada, alinhamento europeu com especificidade nacional e potencial de valor), geridos por portefólio adaptativo (revisão periódica e não exclusividade), com proteção de emergentes/unknowns e espaço para blue sky.
  • Valorização e transferência de conhecimento, ao nível da standardização de processos de Transferência de tecnologia (TT)/Propriedade Intelectual (PI); instrumentos claros de valorização (spinoffs, PI, métricas de impacto); programas multi-instrumento integrados.
  • Mobilização de investimento privado (capital de risco; business angels; incentivos fiscais) com estabilidade e avaliação baseada em evidência; partilha de risco e instrumentos ágeis.
  • Aposta nas carreiras e emprego científico, assegurando critérios de estabilidade laboral nos instrumentos; transição para modelos contratuais mais estáveis; mobilidade intersetorial; valorização de funções de gestão de ciência.
  • Infraestruturas e redes: avaliação regular e financiamento sustentado (incl. operação/manutenção/pessoal especializado); gestão em rede; articulação interdisciplinar.
  • Coesão territorial incorporada nos instrumentos, com critérios/métricas territoriais; abordagens diferenciadas para ilhas/baixa densidade/interior; financiamento orientado ao impacto territorial.
  • Reforço da ligação ciência-sociedade, assente em mecanismos estruturados de participação pública e literacia; atração para STEM; ciência cidadã; atenção às tensões de ciência aberta.
  • Promoção da internacionalização e diáspora, com mecanismos formais de envolvimento em consulta/avaliação/projetos e diplomacia científica.

Prioridades setoriais

  • Saúde: financiamento híbrido; autonomia efetiva com responsabilização; carreiras duais/tempo protegido; rede para escala; investigação clínica/translacional e impacto em saúde pública/políticas públicas.
  • Laboratórios do Estado: reforço de autonomia e condições de financiamento/infraestruturas em coordenação com a agência, para responder a prioridades científicas setoriais (ex.: oceano/clima/território) e reforçar coordenação/governança.
  • Ensino superior privado (equidade): regras claras e proporcionais que removam desigualdades no acesso a financiamento público, mantendo critérios de qualidade/impacto.
  • Politécnicos (clarificação de papéis): clarificação de papéis institucionais e resposta a precariedade/encargos administrativos, em quadro de longo prazo.

Lista de entidades participantes nas reuniões (por ordem alfabética): Agência de Investigação Clínica e Inovação Biomédica (AICIB), Agência para a Competitividade e Inovação, I.P. (IAPMEI), Agência para o Desenvolvimento e Coesão, I. P. (Ad&C), Aliança Portuguesa de Centros de Tecnologia e Inovação (CTI Alliance), Associação de Pós-Graduados Portugueses na Alemanha (ASPPA), Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC), Associação dos Graduados Portugueses na Suiça (AGRAPS), Associação Empresarial para a Inovação (COTEC), Associação Nacional de Investigadores em Ciência e Tecnologia (ANICT), Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE), Associação Portuguesa de Investidores Early Stage - Investors Portugal (APIES), Associação Portuguesa de Parques de Ciência e Tecnologia (TecParques), Associação Portuguesa do Ensino Superior Privado (APESP), Associação Portuguesa para a Gestão de Ciência (SCIGEST.PT), Atlantic International Research Centre (Air Centre), Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM), CCDR Alentejo, CCDR Algarve, CCDR Norte, Ciência Viva (Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica), Comissão de Ética de Investigação Clínica (CEIC), Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro, Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega e Barroso, Comunidade Intermunicipal do Oeste, Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa, Confederação Empresarial de Portugal (CIP), Conselho Consultivo Estratégico (CNCTI), Conselho Coordenador do Roteiro Nacional de Infraestruturas de Investigação de Interesse Estratégico (CC-RNIE), Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP), Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), Conselho dos Laboratórios Associados (CLA), Conselho Nacional dos Centros Académicos Clínicos, Conselhos Científicos da FCT, I. P., Direção Regional da Ciência, Inovação e Desenvolvimento (Açores), FENPROF, FESAP, Fórum dos Conselhos Científicos dos Laboratórios do Estado (Fórum CCs LE), Fórum dos Laboratórios Colaborativos (FCoLAB), Gabinete da Secretária Regional de Educação, Ciência e Tecnologia (Madeira), Grupo Banco Português de Fomento, Grupo de Trabalho para a revisão da Lei da Ciência, Grupo de Trabalho para análise do Ecossistema Nacional de Investigação e Inovação, IdD Portugal Defence, IMPIC - Instituto dos Mercado Públicos, do Imobiliário e da Construção, Instituto Hidrográfico, Instituto Nacional da Propriedade Industrial, I. P. (INPI), Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), Instituto Português da Qualidade (IPQ), Instituto Português do Mar e da Atmosfera, I. P. (IPMA), Investimento e Comércio Externo de Portugal, E.P.E. (AICEP), Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL), Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), Organização dos Trabalhadores Científicos (OTC), Portugal Ventures, Portuguese American Postgraduate Society (PAPS), Portuguese Association of Researchers and Students in the United Kingdom (PARSUK), Programa Regional Açores 2030 - Direção Regional do Planeamento e Fundos Estruturais, Programa Temático Inovação e Transição Digital - Compete 2030, PT Space (Agência Espacial Portuguesa), SNESUP, SPOT Nordic, Startup Portugal - Associação Portuguesa para a Promoção do Empreendedorismo, Venture Studios.